ARTIGO: Teatralização para palestrantes: A importância de construir uma personagem

[16-12-2015]

FLÁVIO GUERRICO – Palestrante, Consultor, Membro e Instrutor da SBP – http://www.flavioguerrico.com.br/ 

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Na vida diária todo o ser humano é levado a exercer vários papéis: pai, mãe, filho, amigo, esposo, irmã, amante, colega, líder, enfim, dependendo da diversidade de tarefas e da amplitude de suas responsabilidades vai revezando entre um papel e outro. Não é diferente quando se vai palestrar. Existem alguns que nascem com os atributos (boa voz, expressão corporal, desinibição, tempo…), ou muito cedo desenvolvem habilidade acima da média para a oratória, tanto que parecem ser palestrantes natos. Mas são raros. Mesmo com a facilidade nata, alguns se perdem e se transformam em canastrões. Lembro-me da personagem do saudoso ator Rogério Cardoso, na Escolinha do Professor Raimundo, Rolando Lero, que costumava responder qualquer pergunta, mesmo sem nenhum conhecimento, em tom dramático, teatral e sempre empostado. Aquilo era um exagero, divertido, cômico, mas tinha e tem sua verdade.

A vida como ela é numa narrativa realista é dura, comum, chata e desinteressante. Com o conhecimento técnico pode ser pior: intragável se não houver talento do palestrante em trazer uma adaptação, um requinte ou abordagem mais atrativa. Certa vez viajei por 8 horas escutando um colega, professor com doutorado em apicultura, que empolgado me relatou a vida das abelhas, os diferentes tipos de mel, as flores envolvidas no processo de cada mel, a organização das colmeias, de forma tão expressiva que não vi o tempo e a viagem passar. Suas grandes mãos simulavam as abelhas e as flores, imitava os diferentes sons das abelhas, dramatizava as disputas por território e a morte heroica da espécie pela manutenção daquela sociedade cooperativa. Puro teatro, rico em encanto, emoção, envolvimento… entrega.

Teatralizar um texto ou conteúdo é lhe dar vida, tirar energia e potencialidades de conhecimento que insistem em permanecer dormentes, sem cor ou viço. Ao mesmo tempo, é entregar ao público mais do que preliminarmente se espera. Isso significa ter carisma, palavra que deriva do grego “karis” que significa doar e origina palavras como caridade, carinho. Neste aspecto ser carismático é a qualidade do palestrante que se doa, é generoso e dá mais que o simples conteúdo, levando a plateia por outros meandros e percursos, possibilitando um panorama mais vasto, muito maior à leitura e compreensão dos espectadores.

Por isso o palestrante deve construir uma personagem, projetar-se, encontrar o seu “palestrante”, doar-se ao ofício e se preparar da melhor forma, tornar-se ator para romper com os limites de sua performance e ir além. Todo o bom ator com facilidade seria um bom palestrante, basta entregar-lhe um conteúdo e ele será capaz de dizer mais que o próprio autor original. E o inverso é certo também:  um excelente conteúdo delegado ao palestrante que não consegue retirar a melhor atuação ao apresentá-lo terá  redução de seu valor, importância, significado e entendimento. Obras-primas já foram vaiadas pela insuficiência de seus interpretes. Ideias e projetos fantásticos são todos os dias esquecidos ou protelados pela mediocridade de seus defensores.

Recursos e técnicas como entonação, interpretação, ênfase, pausa, divisão, ancoramento, marcação de palco, oriundas da técnica teatral, ajudam palestrantes a construírem melhores personagens para apresentações e palestras. Se exercitadas com afinco essas técnicas produzem resultados em pouco tempo. Porém, a maestria é fruto de muito tempo de trabalho e reflexão para encontrar o ponto ideal de cada palestra, personagem e postura frente à plateia. Exige empenho, dedicação e esmero.

Konstantin Stanislawiski o grande ator, diretor, autor e teórico do teatro russo, primeiro artista a dedicar-se a criação de um método para a construção da personagem, criou, entre outras, uma técnica muito simples para dar verdade à personagem: o “fantástico se…” que consistia em o ator perguntar a si mesmo, por exemplo: se eu estivesse neste local, com frio, fome, cansado, 50 anos, com filhos me esperando, embriagado, com um prego no pé, em Paris, na noite de natal, como eu agiria se fosse esta personagem, dentro destas circunstâncias? Quanto mais circunstâncias fossem dadas, maior seria a verdade e intensidade da atuação.

Mais adiante, já com a carreira avançada, Stanislawiski se deu conta de que não apenas a parte subjetiva e imaginária da personagem é que dá verdade aos seus atos, mas, principalmente, o ato em si. E criou o Método das Ações Físicas. Um ator para dominar sua arte precisa atuar, ensaiar, tentar, errar, simular, arduamente exercitar na prática sua técnica, se quiser chegar com a personagem pronta até o dia da estreia, se quiser convencer e arrebatar a plateia, emocionar e tocar a alma das pessoas.

Será que palestrantes se dão conta que o trabalho de preparação de ator consiste em transformar uma pessoa comum em outra no período de meses, semanas e, às vezes, dias? Fazer de um reles mortal um imperador, diretor de empresas, príncipe da Dinamarca, pagador de promessas do sertão nordestino, ou caixeiro viajante?

Como diretores e atores conseguem isso, se os programas de treinamento com enormes esforços têm resultados pouco perceptíveis, ou retornam a posição inicial pouco tempo após a aplicação?

É para isso que servem as técnicas teatrais ao palestrante: dar condições para que conteúdos, conhecimentos e habilidades sejam exercitados com veracidade e ação, aumentando a fixação, empatia e prazer ao repassar um conhecimento.

Mas há que se encontrar o ponto de equilíbrio, não há fórmulas mágicas e prontas, o que existe é trabalho e muita sensibilidade, observação e humildade para não perder o bom senso e a elegância exagerando na teatralização. Aliás, isto é tão comum que o próprio Shakespeare, maior homem de teatro da história,  em Hamlet, no ato II da cena III, há 415 anos, já dava uma lição do que seria adequado para um ator (ou palestrante):

“Tem a bondade de dizer aquele trecho do jeito que eu ensinei, com naturalidade. Se encheres a boca, como costumam fazer muitos dos nossos atores, preferira ouvir os meus versos recitados pelo pregoeiro público. Não te ponhas a serrar o ar com as mãos, desta maneira; sê temperado nos gestos, por que até mesmo na torrente e na tempestade, direi melhor, no turbilhão das paixões, é de mister moderação para orná-las maleáveis. Oh! Dói-me até ao fundo da alma ver um latagão de cabeleira reduzir a frangalhos uma paixão, a verdadeiros trapos, trovejar no ouvido dos assistentes, que, na maioria, só apreciam barulho e pantomima sem significado. Dá gana de açoitar o indivíduo que se põe a exagerar no papel de Termagante e que pretende ser mais Herodes do que ele próprio. Por favor, evita isso.”

Hamlet – de Willian Shakespeare, tradução de Millôr Fernandes.

Assumir que o palestrante é uma personagem a ser preparada e treinada é o primeiro passo para a evolução técnica do palestrante. Esperar uma plateia sempre simpática e amistosa frente a uma figura comum, tradicional e impensada é um ledo engano, um risco que o palestrante profissional não precisa nem deve correr. Pense nisto.

 

 

ARTIGO: Todos queremos conhecer mais

[09-12-2015]

FABIANO CAMILO – Palestrante, Engenheiro, Mestre em Artes Marciais e Instrutor da SBP – fabianocamilo@terra.com.br.

 

Todos queremos conhecer mais…conhecimento

Porém seria importante refletir um pouco sobre o que queremos conhecer. Sobre o que seria importante conhecer. Sobre o que o conhecimento pode nos proporcionar.

Acreditamos que o ser humano vem evoluindo graças ao conhecimento, ou ao aumento do seu nível de conhecimento sobre todas as coisas. Sobre si mesmo, sobre a ciência (que na realidade significa etimologicamente conhecer), sobre o Universo.

A ciência tem servido ao ser humano para que este possa dominar melhor o seu meio ambiente, fazer com que a natureza possa servi-lo melhor. Graças ao domínio da agricultura o homem pode se fixar e estabelecer cidades organizadas, sociedades, regidas por leis, organizadas, moral e esteticamente. O domínio das demais ciências ofereceu ao homem condições de lutar contra as doenças, superar as intempéries, o frio e calor extremos, estruturar a vida nas grandes cidades, agilizar transporte e comunicação.

A ciência atual serve ao homem com as maravilhas da tecnologia. Nos comunicamos com qualquer canto do planeta em tempo real. O mundo virtual não tem fronteiras. As formas de lazer, de diversão, de cultura, de entretenimento, de trabalho, estão todas voltadas ao uso da tecnologia, de alguma maneira até reféns dela.

Bem, o que queremos conhecer?

Qualquer coisa que mude meus estados de humor? Que possa me deixar mais feliz ou então distanciar-me dos problemas da vida pessoal e mesmo coletiva?

Não deveríamos parar um pouco com a mera curiosidade sobre as coisas que estão fora para buscar dentro? Para buscar bons e saudáveis questionamentos? Coisas que nos instigassem a ser mais desafiadores em nossos limites de compreensão de nós mesmos. Meus limites, minhas dificuldades, meus defeitos e principalmente minhas qualidades e virtudes?

Conhecer mais, principalmente de si mesmo é  o que a Sociedade Brasileira de Palestrantes pretende oferecer aos seus membros.

Venha mergulhar no autoconhecimento e identificar suas habilidades e virtudes.

 

ARTIGO: A verdadeira motivação

[02-12-15]

GRAZY GUASPARI – É Empresária, Palestrante nas áreas de vendas, motivação, liderança e MEMBRO da Sociedade Brasileira de Palestrantes – http://sbpalestrantes.com.br/membros/grazy-guaspari/

 

Uma forma eficaz de motivar.Artigo_grazy-01

Hoje a palavra “motivação” caiu nas graças de todos que pretendem entusiasmar seus colaboradores na realização de suas tarefas diárias em busca do objetivo esperado. Sabemos que pessoas motivadas alcançam resultados impensados mas para isso precisamos motivá-las corretamente e verdadeiramente.

Podemos dizer que existe nos dias atuais uma confusão quase que generalizada entre motivação e entusiasmo. Precisamos compreender que motivar não significa somente e puramente entusiasmar alguém, o entusiasmo faz sim parte da motivação mas não é a motivação propriamente dita. Confuso? Vamos clarear melhor esse conceito.

As pessoas são diferentes, todos temos características únicas e exclusivas e por isso temos diferentes razões que nos motivam. Quando falamos em motivar alguém fica implícito o nosso desejo de fazer com que essa pessoa ultrapasse os limites criados por ela mesma, para isso é primordial entendermos as motivações pessoais dela. Nem sempre o que funciona para motivar determinada pessoa irá funcionar para a outra.

É fundamental que o líder saiba identificar os motivos , conheça os integrantes da sua equipe e a forma mais eficaz de motivar cada um deles. O objetivo do líder é aumentar a produtividade dos seus liderados e para isso precisa entender as razões pelas quais eles trabalham (porque?) e o que eles sonham e pretendem conquistar (para que?). Com as respostas dessas duas simples perguntas fica mais fácil saber como motivar diariamente cada colaborador.

Talvez nada do que eu tenha dito até o momento  seja novidade para você e se for isso ótimo, significa que você  compreende que motivar é muito mais do que apenas entusiasmar, animar ou encorajar as pessoas. Existe, portanto, outra questão muito importante quando o tema é motivação e que muitas vezes passa desapercebida pela maioria dos líderes.  A questão é que na maioria das vezes é muito mais fácil e mais barato do que motivar simplesmente evitar a desmotivação.

Para que possamos ter uma equipe motivada, focada e determinada é de suma importância trabalharmos diariamente combatendo práticas que levem a desmotivação. Cobranças exageradas e descabidas, procedimentos excessivamente burocráticos e a falta de empatia, a capacidade de se colocar no lugar do outro, dos líderes são alguns exemplos de práticas desmotivadoras. É muito mais trabalhoso e energicamente desgastante termos que reverter  um quadro de desmotivação do que trabalhar diariamente para combatê-lo.

Como posso trabalhar diariamente evitando a desmotivação? Mantendo um bom ambiente de trabalho, proporcionando momentos de descontração e relaxamento durante o expediente e valorizando as conquistas e resultados de sua equipe. Hoje em dia está mais do que provado por inúmeros especialistas que um bom ambiente de trabalho gera funcionários satisfeitos e por conseqüência melhores resultados.

Mantenha o foco, tenha  sempre claro as suas razões e objetivos e invista em auto-conhecimento. O ser humano sempre pode mais do que imagina e isso não é diferente comigo, com você, com seus colegas de trabalho ou com seus liderados. Para que consigamos despertar em cada um de nós esse “algo mais” é importante lembrarmos ou sermos lembrados diariamente dos nossos motivos e objetivos.

Gravações do Curso Basic Speaker EAD. Lançamento 1º Trimestre de 2016

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[30-11-15]

A Sociedade Brasileira de Palestrantes esteve realizando, na última sexta-feira (27/11) , as gravações finais do Curso Basic Speaker EAD, que será lançado em plataforma ONLINE em no 1º Trimestre de 2016.

Foram gravados 10 módulos de curso que contemplam 38 temas.

O curso tem como objetivo oferecer ao aluno um conteúdo diferenciado que transmita todos os aspectos fundamentais para o desenvolvimento da carreira do palestrante profissional.

Para saber mais informações sobre o conteúdo programático e instrutores do curso, acesse:

http://sbpalestrantes.com.br/ead-basic-speaker/

TEM INTERESSE NO CURSO?

Envie um e-mail para: atendimento@sbpalestrantes.com.br

ou ligue : 51 3907 – 7707

ARTIGO: Qual é o seu problema?

[26-11-15]

TOM COELHO – é educador, palestrante em gestão de pessoas e negócios, escritor com artigos publicados em 17 países e autor de oito livros. E-mail: tomcoelho@tomcoelho.com.br. Visite: www.tomcoelho.com.br e www.setevidas.com.br.

 

“O problema não está em não enxergar a solução,

mas em não enxergar o problema.”

(Charles Kettering)

 

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Minha trajetória é marcada por iniciativas empreendedoras. Aos 14 anos eu já trabalhava com meu pai. Aos 15, iniciei com um amigo um negócio de digitação de trabalhos acadêmicos. Aos 20, atuei como executivo na área de exportação de café. Após esta experiência, fiquei desempregado por sete intermináveis meses, o que me levou a novamente empreender – desta vez por necessidade, e não por oportunidade.

Ao longo de onze anos enveredei por negócios que transitaram de um bar a um comércio de semijoias, passando por uma construtora e uma metalúrgica. Em alguns, prosperei e me diverti. Em outros, capitulei e me entristeci.

Falar sobre sucesso é relativamente simples e até fácil. Porém, pouco instrutivo. Embora a maioria dos livros, entrevistas e depoimentos procurem sempre exaltar o êxito dos protagonistas, há lições inestimáveis oriundas das histórias de fracasso.

Michael Jansen disse: “Felicidade não é ausência de problemas. A ausência de problemas é o tédio. A felicidade são grandes problemas bem administrados”. Concordo, mas divido os problemas em duas categorias: os bons e os ruins.

Em minha metalúrgica experimentei o prazer de estar no topo e a dureza do fundo do poço. E notei que era a hora de parar e mudar quando problemas ruins passaram a habitar não apenas meu cotidiano e meus pensamentos, mas também meus sonhos.

Nos tempos difíceis da empresa, quando eu saía de um momento privado, fosse uma reunião ou uma mera sessão de cinema, ao ligar o telefone ou acessar o e-mail eu sabia que problemas me aguardavam… Eram situações litigiosas, desagradáveis e até terríveis. Por isso, a angústia me visitava. Eu gostaria de não ligar o telefone, não atender ao visitante, não olhar as mensagens. Mas estas não eram escolhas possíveis, pois minhas responsabilidades não permitiriam a omissão.

Hoje, é claro que continuo cercado por problemas. Mas são bons problemas. Como vou atender mais adequadamente aos meus clientes para que obtenham amplos resultados com minha contratação? Como faço para envolver uma equipe de líderes voluntários que coordeno em prol de iniciativas sociais? Sobre qual tema irei abordar em meu próximo artigo de modo a proporcionar uma leitura útil e prazerosa aos leitores?

Por isso, comece a refletir e a questionar seus próprios problemas. O que incomoda você? É a mobilidade urbana e o tempo que você dispende para ir e voltar ao trabalho? São as suas atribuições enfadonhas, insossas e desalinhadas de seus propósitos pessoais? É sua comunicação com seu líder ou equipe? São questões afetivas ou financeiras? Responda francamente: o problema está na empresa, nos outros ou em você?

Lembre-se: todo problema tem solução, desde que bem identificado. E toda solução passa invariavelmente por sua decisão pessoal. Você controla seus pensamentos, amadurece suas emoções e decide sair da zona de conforto, abandonando o comodismo e o conformismo, buscando soluções em lugar de culpados. Dê aos problemas a dimensão que efetivamente devem ter. Seja flexível nos acordos, tolerante nas decisões, paciente com as respostas. E aprenda com cada nova experiência vivida.